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terça-feira, 9 de abril de 2013

Críticas de Terça #38: Há uma grande diferença entre viver e fingir que se vive

Em meio a tanta informação, redes sociais, aplicativos, smartphones, globalização e televisão, há algumas perguntas que não querem calar: o que é viver no século 21? O que faz bem para o ser humano e para sua essência? Estamos todos norteados por essa tecnologia de ponta, podemos falar com qualquer pessoa do mundo em tempo real com som e imagem, mas será que isso ainda faz nos sentirmos humanos?

Há quem diga que se perdeu um pouco a essência da humanidade com a tecnologia, ninguém mais visita ninguém sem postar uma foto em uma rede social, ninguém mais sai de casa sem celular, ninguém viaja mais sem levar o notebook e principalmente ninguém mais vive por fora da globalização. Acho muito legal postar fotos em redes sociais de momentos agradáveis, mas também isso não pode se tornar mais importante do que um abraço, um carinho e a curtição de um momento especial.

Algumas pessoas teriam que se reeducar a viver como ser humano, aprender a se sentir humanos de novo. Aprender a dar valor ao que se vive, estar de corpo e espírito presentes. Saber dançar sem mexer no celular, de sair para viajar bater fotos e postar só no retorno e aprender a importância de um abraço de uma palavra amiga e de uma boa companhia.

Como diz John Lennon “A vida é o que acontece enquanto planejamos o futuro”. Isso aprendi mais do que nunca quando estive em Londres, em que fiquei mais de 9 dias sem internet, um mês sem celular e sem muito contato com o Brasil. Vivi cada segundo sentindo os passos que eu dava, o cheiro que as coisas tinham, o barulho do metrô, a sonoridade do sotaque britânico e o gosto das comidas. Confesso que isso me revigorou enquanto ser humano, me reeduquei a viver como um ser que pensa, age e sente. Fiz amizades incríveis, andei até cansar, falei muito Inglês, curti ser estudante em um país estrangeiro e o meu desejo era de conhecer cada vez mais.

No meu ponto de vista é hora de viver e esquecer um pouco do futuro, da tecnologia, das redes sociais e que estamos em um mundo globalizado. Até me atrevo a dizer, busque um pouco de egocentrismo. É bom se sentir às vezes o centro do universo e ter um mundo só teu, em que as coisas são mais cor de rosa do que normalmente, em que a família é imortal, que os amigos são companheiros de jornada e que uma noite bem dançada vale pela eternidade. Por isso, dê valor às coisas inerentes a nossa essência, abrace as pessoas que você ama, estude um novo idioma, faça uma viagem sem rumo e aproveite as coisas boas que só um ser humano de verdade sente.

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Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda terça-feira, às 22h, na seção Críticas de Terça, editada por Emily Arcego. Siga a coluna no Twitter: @CriticasdeTerca e participe!
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