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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Jô por Acaso #26: Família real

O adjetivo real que intitula este artigo permite dupla interpretação e é sobre as duas acepções do verbete que irei mesmo tratar.

As últimas fotos da família real (que pertence à realeza, à nobreza), britânica só comprovam que seus membros formam parte de uma família real (verdadeira). Refiro-me as fotos do príncipe Harry nu em festa em Las Vegas e da duquesa Kate de topless em mansão em Provença.

O lado desagradável de ser um nobre ou uma celebridade, porque tudo na vida tem uma parte negativa, por mais difícil que às vezes pareça detectá-lo, se relaciona à falta de privacidade. Não vejo mal algum na festa (ou será orgia?) do príncipe Harry, nem no topless da.duquesa Kate Middleton, esposa do príncipe William, qualquer um pode fazer um ou outro, contanto que seja um desconhecido qualquer.
No entanto da realeza é exigido o recato, a discrição absoluta de seus atos. Ou seja, aos nobres não lhes é permitido o direito de viver em paz, sempre devem estar cuidando o que dizem, o que vestem, o que comem, e, antes de sair nas ruas, ou até mesmo em situação de festas ou viagem de férias portar-se de modo irreal, como se fossem realmente aqueles personagens dos contos de fadas que habitam o imaginário coletivo do homem comum. Príncipes são galantes, portanto nada de nudez em festinhas, duquesas são recatadas, portanto nada de peitos à mostra, mesmo em local distante e privado de seu reino.

Isto tudo da realeza real me encantou. Porque gosto da vida verdadeira e de mitos desvelados. O príncipe é um rapaz normal, a duquesa uma recém,-casada desfrutando das férias na companhia de seu amor, tomando sol por completo, feliz em sua intimidade. Qual o problema? O sobrenome! Nestas horas é que vejo que sorte tive eu em não ter nascido em berço de ouro. Posso participar das festas que bem entender, fazer quantos toplesses desejar, e não haverá nenhum papparazzi a minha volta, porque, que maravilha, ninguém sabe que eu existo!

Que peso enorme carregam sobre os ombros estes tristes nobres, carregam a exigência de uma perfeição, de uma vida de mentira, o que bem.lhes deve doer no corpo e na alma.
As notícias me fizeram crer na vida de verdade, aquela do sujeito comum, que pode se divertir à vontade, cometer até alguns deslizes e seguir seu rumo normalmente, sem nenhuma fotinho em jornal ou revista.

E convém reiterar que mais de verdade me pareceu ainda a família real em sua nudez. Os corpos de ambos os sangue azul, príncipe e duquesa, nada tem de excepcional, gente normal, não são extraordinariamente belos, são imperfeitos como qualquer um de nós. As fotos revelam o mundo real, da realeza, que o mundo real, de verdade, não podia ver, pois deveríamos permanecer crédulos nos personagens magnificamente perfeitos dos contos de fadas, estes que só existem lá no mundo do imaginário.

E eu que pensei um dia que vida de princesa era uma maravilha? Prefiro o topless tranquilo na laje da minha casa.

Moral da história: vida boa mesmo é a do plebeu!


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Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda quarta-feira, às 22h, na seção Jô por Acaso, editada por Joselma Noal.
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