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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Jô por Acaso #25: Nem tão longe dos tempos de Gabriela.


Com a nova versão televisiva para Gabriela cravo e canela de Jorge Amado o debate informal sobre a situação da mulher foi reanimado. Este é assunto corriqueiro e repetitivo, entre as mulheres de diferentes faixas etárias, classes sociais e profissões, que acompanham a minissérie global e se emocionam com personagens como Sinhazinha e Lindinalva!

Não que nós mulheres sejamos aliadas, não tenhamos memória histórica e/ou não reflitamos sobre a nossa situação em um passado, nem tão distante, em nosso país. Mas o que assusta mesmo e saber que, em pleno século XXI, ainda há muito a ser mudado sobre preconceito e machismo em nossa sociedade.

A morte de Sinhazinha, por exemplo, permanece até hoje, pois há inúmeros casos de crimes passionais, de homicídios de mulheres, cometidos por homens ciumentos e doentes.

A desonra de Lindinalva pode parecer distante de nossa realidade, mas vale lembrar que a virgindade ainda é considerada valor absoluto, em países do Oriente. Tamanho o temor que muitas jovens de origem árabe pagam cerca de 2 mil euros (aproximadamente R$ 4,6 mil) para a realização de uma cirurgia na França para restaurar a virgindade. Em partes da Ásia e no mundo árabe mulheres que mantiveram relações sexuais correm o risco de isolamento em suas comunidades ou assassinato. A pressão social é tão grande que algumas mulheres chegaram a cometer suicídio.

Ao ler a matéria jornalística sobre a lista de 77 cursos em 36 universidades iranianas e, portanto, de profissões que podem ser exercidas por mulheres neste país motivou-me à escrita deste texto. Fiquei horrorizada com o preconceito explícito, com a relação de cargos que podem ser desempenhados somente por homens. Assustador verificar que há um número significativo de desempregadas em determinadas áreas. Em setores como engenharia da mineração, 98% das graduadas estão desempregadas, são excluídas por seu sexo, não há nenhuma seleção que comprove superioridade do sexo masculino no que diz respeito à competência, habilidade, qualidade ou quantidade de produção.

Muito bem, meninas, vamos continuar assistindo Gabriela, mas de olhos bem abertos para enxergar e tentar mudar o preconceito que permanece na atualidade! Nada de sentimento de alívio, ainda há muito a ser modificado e superado. Temos que estar bem preparadas para assumir com competência diferentes cargos no mercado de trabalho. A transformação ocorre, e muito, também ao cumprir o papel de mães, àquelas que assim desejarem, ao educar meninas e meninos desprovidos de preconceito.

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Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda quarta-feira, às 22h, na seção Jô por Acaso, editada por Joselma Noal.
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