Páginas

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Jô por Acaso #23: Grande Quino!

Sempre adorei histórias em quadrinhos. No início da faculdade de Letras, minha primeira monografia, uma espécie de ensaio para o TCC, tinha como título Histórias em quadrinhos: sim ou não? – sugestão do querido professor Gilberto Scartoon, a pergunta era pertinente em um tempo em que era polêmica a leitura de gibis como forma de iniciação à leitura.

Na tal monografia me detive na Turma da Mônica. Logo conheci Mafalda e me encantei!Após a defesa da dissertação do Mestrado, fiz um acordo, comigo mesma, de ler toda a Mafalda para me divertir um pouco. Não que Mafalda não seja séria, mas é a certeza de uma leitura agradável para alguém que vinha de um período de estresse. Na verdade, eu precisava de um refresco!

Comprei a Mafalda em coleção completa, em livrinhos pequenos, numerados de 0 a 10, eu andava tão emocionada que carregava para todos os cantos os tais livrinhos. Uma ocasião, um fim de semana na praia, a família toda passou a ler, todo mundo lia, comentava, foi um sucesso!

Mas o Quino, genial argentino que completou 80 anos esta semana, não inventou só a Mafalda e sua turma. Publicou outras obras. No começo de minha carreira como professora de Espanhol, um aluno do então curso supletivo, me deu um presente, que considero uma relíquia, um livro chamada Ni arte, ni parte, de Quino. Trata-se de uma obra fantástica, dividida em capítulos, cada um dedicado a uma expressão artística. Ali se encontra uma percepção: crítica, sensível, inteligente e, claro, bem-humorada, sobre as diferentes expressões artísticas.

O que aprendi lendo Mafalda e NI arte, ni parte é de incomparável valor, quem pensa que história em quadrinhos é algo bobo, não conhece o Quino. Incrível como Mafalda perpassa o tempo, segue atual. A voz de uma menina, absolutamente verdadeira, ingênua, rebelde, inteligente e perspicaz, questiona a vida, o mundo e deixa a todos adultos perplexos. Como, muitas vezes, acontece em nosso cotidiano, por isto nos emociona, porque nos identificamos com as perguntas, as dúvidas, os questionamentos, as inquietudes de menina, pois são reais.

Parabéns, Quino, pelo aniversário e pela genialidade. Obrigada pela sensibilidade de revelar o mundo de forma tão leve e ao mesmo tempo tão crítica!

---
Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda quarta-feira, às 22h, na seção Jô por Acaso, editada por Joselma Noal.
Web Analytics