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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Jô por Acaso #22: A Atitude Nobre do Morador de Rua


Dois assuntos importantes nas notícias dos últimos dias: a divulgação dos salários de servidores públicos e a devolução ao dono do valor de 20 mil reais por parte de um casal de moradores de rua. Aparentemente podem não ter nada em comum, mas se observarmos com maior atenção, ambas situações estão relacionadas à ética, moral e educação.

Vou iniciar com a atitude dos moradores de rua: em entrevista, o homem revelou que o dinheiro, os tais 20 mil em sua mão não durariam muito e não teriam um destino muito seguro, por isto não pensou duas vezes em devolver ao dono. Na verdade, o casal, ao devolver o dinheiro, se souber aproveitar a oportunidade, pode ganhar um curso profissionalizante e um futuro emprego digno, pois o proprietário do restaurante ao receber seus 20 mil de volta ofereceu esta gentileza ao humilde e honesto casal. Louvável, tanto a atitude dos moradores de rua, como a forma de agradecimento do proprietário do restaurante!

Chamou-me atenção também, a esperança do morador de rua de que sua mãe visse a notícia, se interasse de seu feito. A fala do homem reforça minha crença de que crescemos e nos tornamos alguém com a esperança de dar orgulho, nem que seja uma pontinha, aos nossos pais, mostrar a eles que trazer-nos ao mundo não foi gesto em vão. E por isto vou torcer para que a mãe do maranhense morador de rua, Rejaniel Jesus dos Santos, saiba da bela atitude do seu filho!

Sobre a polêmica da quebra de sigilo dos salários dos servidores públicos me parece uma falta de educação e respeito divulgar na rede. Cresci ouvindo que jamais se pergunta o salário a alguém que é falta de educação, continuo acreditando nisto! Os salários dos políticos, sim, devem ser revelados, aliás deveria ser repensada a remuneração destinada a nossos representantes. Cabe lembrar o exemplo da Suécia em que prefeitos e governadores não recebem salário, não tem gabinete, trabalham em casa, não existe cota de passagens aéreas, nem impunidade garantida pelo cargo!

O servidor público é cidadão comum, foi aprovado em concurso, cumpre sua função como um trabalhador qualquer, não foi eleito com o voto de ninguém, portanto, não deve explicações à comunidade sobre sua remuneração. O gesto de colocar seu salário na rede é uma forma de invasão de privacidade, uma falta de educação, como bem aprendi na infância. Apoio a liminar que obrigou a prefeitura, União e STF a retirar nomes e remunerações de servidores.

Nosso país é assim, infelizmente, com poucos gestos de orgulho e muitos de vergonha!

Vida longa às pessoas decentes e honestas sejam elas: moradores de rua, donos de restaurante, funcionários públicos e quaisquer outros cidadãos.

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Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda quarta-feira, às 22h, na seção Jô por Acaso, editada por Joselma Noal.
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