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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Diário da Faxineira #5: Capítulo 5 - Profissional da limpeza agora também no ramo de importados

São Pedro ouviu minhas preces, hoje tem sol. Já o Santo Antonio, ainda não, eu continuo no atraso! Mas a sexta-feira vai ser boa: sol de dia e pagode de noite. Vou juntar um monte de amigo na minha laje, sem risco de quebra de louça chique, feito na casa da Jucilaine.

Tô apertada de dinheiro, sempre que isto acontece, e é bem seguido, sabe, peço um vale pra Doutora em Letras. Ela é quieta, não é de muito assunto, sempre no pretinho básico. Tu não imagina como é abrir o roupeiro dela, a gente leva o maior susto, parece velório: calça, camisa, camiseta, blusa, saia, vestido, casaco, é tudo preto. Pelo menos tem muito colar e lenço colorido. A dona é calada, na dela mesmo, mas quando preciso vale, sei que ela me dá, tem bom coração. Segunda, eu vou lá e peço um vale. Certo que ela me dá.

Hoje tô no bonitão do porcelanato, pra patrão novo eu não peço vale, não pega bem. Até porque nem ia dar tempo, que o moço saiu loguinho que eu cheguei, e pra pedir dinheiro tem que ter um tempinho, tu também não acha? Não sei se tu tá acostumado a isto de pedir vale. Eu, pelo menos, não consigo pedir assim de sola, tenho que dar uma enrolada. Com a Doutora em Letras nem precisa de enrolar muito, eu começo o assunto e ela já vai abrindo a carteira com uma risadinha, coração bom mesmo tem a dona!

Pois é, tô cansada desta vida de aperto, preciso fazer um extra! A Clarineusa me disse pra vender Jequiti, mas eu não levo muito jeito pra venda, não! Daí a gente teve outra ideia, eu faço economia e compro produto no Paraguai e passo pra Clarineusa vender, só que ela vai querer uma parte também, né? Ainda mais agora, que tá pegando um cara técnico em Contabilidade, o bonito calcula tudo pra ela. E tu deve de calcular é o tamanho da minha inveja, a Clarineusa pegando gostoso estudado e tudo, e eu, aqui, na mesma pindaíba de sempre, que nem gripe eu pego!

Falando mais sobre a minha viagem de compras pro Paraguai, é bom também pra conhecer gente. Numa dessas, tenho fé que Santo Antonio ainda vai lembrar de mim. Quem sabe pinta um negão do ramo de vendas de produtos importados pra euzinha, Josicleide, que bem que mereço, trabalhadora e decente, conhecida profissional da limpeza agora investindo também no ramo de importados!

Pensando melhor, acho até que algumas vendas eu me animo a fazer direto: compro um monte de lenços pra Doutora em Letras, creme pro estoque do lavabo do bancário solteirão, como conheço bem patrão, já levo mercadoria separada pra ele. O do porcelanato, este ainda não sei muito, discreto por demais, acho que deve de gostar de bebida, porque tem bastante lá naquele bar e de cozinhar porque tem um bocado de temperinho na cozinha, acho que não é só de enfeite, porque têm vidrinho pela metade e outro no finalzinho.

Nem tô com muita pressa, hoje, sabe, tô devagar e no capricho, patrão novo sabe como é, né? Tem que agradar! Tô tirando tudo do lugar pra passar o pano no chão, apartamento bonito que só vendo, tudo bem branco, bem brilhante, dá gosto de limpar.

De noite, vou começar a fazer a lista de produto pra minha viagem pro Paraguai Tô bem faceira, porque com amigo, pagode, cerveja e churrasco, a lista só pode ficar das bem boa mesmo!

E tu, aí, não quer aproveitar pra fazer alguma encomenda?


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Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda quarta-feira, às 22h, na seção Diário da Faxineira, editada por Joselma Noal.
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