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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Diário da Faxineira #3: Capítulo 3 - O fora e a freichené

Pois é, na última sexta que a gente conversou eu tava na casa da Loira Azeda, só na mira do negão pintor, com o meu legging cor de rosa, esfregando os vidros, cantarolando e rebolando no ritmo do Kuduro. Tudo parecia lindo! Pior, só parecia. Bem que diz o ditado: alegria de pobre dura pouco. E o meu dia acabou mal. Espero que tu tenha tido mais sorte! Por aqui foi braba a coisa! O negão me olhou umas quantas vezes, isto é bem verdade. Depois virou e me perguntou com voz fina onde eu tinha comprado o legging, achou um luxo! Já entendeu, né? Homem não acha nada um luxo. Depois ficamos de assunto sobre aulas de canto, porque achou meu tom meio desafinado, mas que pode melhorar, meu timbre até é bem bonito. É ruim, hein? Depois da limpeza dos vidros, fiquei arrasada, pra morrer, fiquei mal mesmo. Tu nem imagina, não sei se já aconteceu contigo: planejar um monte de safadezas e logo saber que vai é voltar pra casa e dormir sozinha de novo, ou melhor, não bem sozinha, com o meu brinquedinho de controle remoto!

Então, pra esquecer de tudo, limpei a casa toda num rapidão, só onde passa o trem mesmo e fui pro ataque de geladeira, armário e gaveta. Mas me atirei mesmo foi no bar, bebi todos os licorzinhos e olha que tinha um monte de tipo, provei todinhos, todinhos. Depois vi uma garrafa bonita na geladeira, abri o troço e bebi no gut gut, feito bebê com mamadeira. E cá pra nós, muito melhor que a sidra do ano novo na casa da minha amiga Clarineusa!

A patroa chegou antes e me pegou naquele trago, só falava da tal freichené que eu tomei. A Loira Azeda, sempre na estica, no saltão, no perfume francês, depois que cresceu um pouco, nunca mais deve ter dormido sozinha na vida e por mais que eu tentasse explicar, nunca ia conseguir entender o que é viver na seca de homem e de grana, nunca deve ter passado por isto! Nem quis me ouvir, me mandou calar a boca, me pagou e me mandou embora aos gritos e com um monte de desaforos chiques, feito político em tribuna.

E assim eu fui demitida da minha faxina das sextas, fazer o quê, né? Maldito negão pintor fruta!

Agora tenho que falar com os meus outros patrões e com a minha professora, a Márcia, que conhece bem meu talento pra faxina e me passou umas dicas de limpeza com vinagre que nunca mais me esqueci. Isso é que é ser professor, ensinar coisa que a gente carrega pra vida mesmo! Vou telefonar para ela, ver se ela me indica pra alguém nas sextas, ela já me indicou pra um monte de gente. Boa pessoa ela! Sabe que eu faço faxina direitinho e sou de confiança. A bebedeira de hoje não vou contar pra Profe, claro que não, porque foi uma contingência do destino como bem diria a minha patroa Dra. em Letras. Não bebo no trabalho, tu sabe que não, só quando termino tudo, antes de ir embora, mas é só uma bicadinha como já te contei o outro dia!

Hoje vou aproveitar pra limpar minha casa, esta sexta ainda tô de folga! Folga de pobre é assim mesmo: no batente. Mas de noite vou é me divertir e muito, tenho encontro com minhas amigas pra tomar umas cevas e comer uma pizza, vai ser lá na Jucilaine que tem a maior laje da turma.

Uma boa sexta e um bom fim de semana pra ti também! Até!

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Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda quarta-feira, às 22h, na seção Diário da Faxineira, editada por Joselma Noal.
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