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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Jô por Acaso #18: Geração Coca-Cola e Geração Conectada

Assisti o Tributo à Legião Urbana com Dado, Bonfá e Wagner Moura nos vocais ontem, terça, 29/05, às 22h, na MTV. Adorei relembrar letras e músicas e comprovar a genialidade de Renato Russo. Minha admiração pelo ator Wagner Moura, que já era grande, se tornou ainda maior. O baiano estava feliz pra caramba no palco, nem todas as músicas soaram perfeitas em sua voz, mas ele fez bonito e estava visivelmente emocionado por fazer parte daquele palco, se podia perceber em seus olhos o orgulho de fazer parte da Geração Coca-Cola, na qual também me incluo. Nossa que músicos admiráveis os dos anos 80: Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Barão Vermelho, entre outros! E é aí que entra este texto para pensar sobre a nova geração, os filhos destes que ouviam Legião, que nome terá esta nova geração?

Pois é, não sei se a Geração Coca-Cola tem se saído bem no papel de pais, confesso que ter uma filha adolescente é tarefa árdua, de um nível de complexidade muito maior do que da primeira infância entre fraldas e amamentações da madrugada. Em meus momentos nostalgia, comparo meus gostos musicais com os de minha filha e me pergunto quais são as referências musicais dela? Onde anda o rock nacional? O bom é que a gurizada está aprendendo inglês ao cantar Miley Cyrus, mas realmente me preocupa esta situação. Apreciar uma música, cantar junto, como a gente fazia com os nossos roqueiros, revela-se como forma de expressão, um modo de assumir um papel social.

Há outras questões inseridas na identidade desta geração que não sobrevive sem conexão de Internet e celular multifuncional. Estes adolescentes se transformarão, sem dúvida, em profissionais de grande competência em tecnologia e informática, mas lhes faltará, e muito, nas relações pessoais. Adolescentes que se reúnem e ficam cada um deles em seu mundinho, ou melhor, em seu computadorzinho em seu celularzinho, falando ou teclando com meio mundo, mas sem conversar olhando nos olhos daqueles que estão ao seu lado, como a gente costumava e costuma fazer.

Esta geração brasileira não canta em seu idioma ou muito pouco o faz e com letras modestas e, o que é pior, em alguns casos, extremamente vulgares. Para onde caminha esta nova geração, não sei, e por isto temo pelo futuro da geração conectada, de boné enfiado na cara por vergonha de mostrar a própria face e de meninas que insistem em provar uma sensualidade de mulher em corpos bem formados, mas em rosto de menina.

Tomara que nós, os pais Geração Coca-Cola, cantemos em casa e alto e bom som: E preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, quem sabe assim esta gurizada ainda aprende um pouco com os jurássicos e nostálgicos roqueiros dos anos 80.

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Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda quarta-feira, às 22h, na seção Jô por Acaso, editada por Joselma Noal.
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