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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Jô por Acaso #16: Intelecto sem Pigmento


O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, que é constitucional a adoção de políticas de cotas raciais em instituições de ensino. Considero o sistema de cotas para negros, implantado em universidades brasileiras, uma prova concreta de preconceito.

Embora eu reconheça que a disputa por ingresso em universidades públicas ocorre de forma injusta, devido a grande e vergonhosa diferença entre a qualidade de ensino na escola pública e na particular, defendo a cota social! Apesar de estar ciente de que a distribuição de cotas no ensino superior é, sem dúvida, um reconhecimento da falta de credibilidade do ensino público, uma forma de dar a mão à palmatória.

As vagas das universidades públicas deveriam ser destinadas aos candidatos de escolas estaduais e municipais. Reitero que defendo cotas para pessoas de baixa renda, independente de raça! Sei que, muitas vezes, ocorre o inverso: muitos dos que estudam em uma universidade federal são os que poderiam pagar uma universidade privada. Já os alunos das universidades privadas com dificuldades financeiras têm de se acotovelar na corrida por bolsas, estágios e monitorias para conquistar o diploma. Devido à competitividade e ao nível de exigência, tanto nos exames vestibulares das universidades públicas, como ao ENEM, sistema de seleção ao ingresso, adotado na maioria destas instituições de ensino superior, são aprovados candidatos com maior conhecimento e bagagem cultural, em sua maioria, provenientes de uma classe social de poder aquisitivo mais alto.

Com relação às cotas para negros, a inteligência, seja ela cognitiva ou emocional, não é ditada por cor, portanto, trate de estudar e provar talento e potencial intelectual, independente de sua etnia. Se eu fosse negra, não me sentiria honrada em iniciar uma graduação entrando por sistema de cotas, gostaria de ingressar em uma universidade por mérito intelectual e não por meu tom de pele.

A questão abordada anteriormente: menor condição de acesso à cultura e o menor nível de exigência das escolas públicas (em sua maioria) se comparadas às particulares – estas razões, sim, justificariam a existência de cotas.

No entanto seja você aluno de escola pública ou privada, acredite: o intelecto não é pigmentado, se esforce para ingressar na universidade, independente da tonalidade de sua pele, estude e faça por merecer!

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Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda quarta-feira, às 22h, na seção Jô por Acaso, editada por Joselma Noal.

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