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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Jô por Acaso #13: Ser alguém

Todos almejam ser alguém na vida. E, cá pra nós, por acaso se pode virar ninguém? Brincadeiras à parte e uma reflexão a caminho: o que significa realmente ser alguém? Dois fatos me fizeram pensar sobre esta história de ser alguém.

O primeiro: um amigo premiado na Espanha, o cara recebeu troféu das mãos da Rainha Sofía. Eu achei o máximo postei foto no facebook e contei pra meio mundo. Me estufei de orgulho! Pó, olha lá, na foto com a rainha, é meu amigo! E, claro, naturalmente pensei na família que deve estar ainda mais repleta de orgulho. Abaixo da foto do facebook, o comentário da irmã que se a mãe fosse viva a tal foto já estaria em porta-retrato na sala. Verdade, todas as mães adoram as fotos na sala para mostrar que seu filho é alguém!

O segundo: uma pesquisa realizada em universidade, americana comprovou (o que intuitivamente eu já imaginava e acredito que vocês também) que as pessoas mais homofóbicas são na verdade aquelas que se sentem atraídos pelo mesmo sexo e não conseguem admitir a própria sexualidade.Seja por questões familiares, sociais, religiosas, passam, então, a odiar o outro, por identificação, e ao mesmo tempo negação do homossexualismo.

Nos dois casos está o ser alguém! Bem sucedido e bem resolvido. Não, meu amigo não é homofóbico e não está no armário! Não há nenhuma relação com ele. Mas sim com o orgulho da família, todos no fundo queremos ser o orgulho da família, tá certo nem sempre a gente consegue tirar foto ao lado da Rainha, no entanto cada um tem que encontrar o seu jeito se ser alguém!

Aliás, a gente tem que ser alguém pra gente mesmo e não só para os outros e aí vem o armário, que aqui não se relaciona só a sexualidade, e sim a outros tantos desejos oprimidos, que pode ser na escolha profissional, no casamento, na decisão de ter ou não filhos, ter ou não animais de estimação. Nossas escolhas na vida não podem apenas refletir o desejo social e/ou familiar. Muitas mulheres, sem a mínima vocação para a maternidade, resolvem engravidar por pressão social, familiar. Desculpem a franqueza, mas tudo indica que serão mães omissas, indiferentes e distantes de seus filhos!

O pai escolhe a profissão para o filho, o cara pode ser muito titulado e bem sucedido no trabalho, mas bem lá no fundo sabe que não era assim a vida que ele próprio queria, construiu uma vida para agradar o pai. Triste, lamentável! Os pais só querem ajudar, só tem boa intenção, só querem que os filhos sejam alguém! Porém, cada um tem que encontrar a sua forma de ser alguém, fazendo suas próprias escolhas, errando e acertando e se assumindo verdadeiramente, seja na profissão, na sexualidade, na moradia, em tudo.

Que cada um procure ser alguém e siga a sua luta pra ser feliz!


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Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda quarta-feira, às 22h, na seção Jô por Acaso, editada por Joselma Noal.
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