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quinta-feira, 1 de março de 2012

Panorama #4: O caminho do futuro

Diariamente, universitários se deslocam de suas casas até as instituições de ensino visando à promessa de alcançar seus sonhos profissionais e pessoais 


Roberto Biluczyk

Hoje, a Universidade já não é mais luxo da alta sociedade. Embora as instituições públicas possuam grande concorrência e as mensalidades das faculdades particulares estejam impraticáveis para a maioria dos trabalhadores, o governo distribui benefícios e facilidades de ingresso às fileiras acadêmicas.

Geralmente localizadas nos grandes centros, as faculdades acabam desamparando uma parcela da população. Quando ocorrem em cidades menores, nem sempre a oferta de cursos agrada. E é isso que motiva os estudantes a viajarem estrada afora.

A viagem 

Camila Teixeira acorda às 5h e deixa Erechim todas as manhãs para estudar Publicidade e Propaganda em Passo Fundo, a cerca de 80 km. As viagens de ida e volta, que totalizam duas horas por dia, pouco incomodam a estudante. "Na vida, teremos de enfrentar distâncias até maiores para conseguirmos o que tanto idealizamos. Sinto-me desafiada ao não ter tudo de mão-beijada e ao alcance", relata Camila.

Camila sente que a mudança para outra cidade não é a viável. "Hoje tenho um estágio e uma boa experiência em Erechim. Porém, sinto a falta de participar mais ativamente do meu curso, da universidade, das decisões tomadas de maneira presencial, do relacionamento extraclasse com amigos, colegas e professores”, destaca. “E ainda teria a questão do sustento, a qual tornaria complicada minha mudança para Passo Fundo, neste momento", salienta.

A universitária ainda afirma a universidade lhe proporcionou conhecer amigos de um companheirismo incomparável. "O núcleo onde estudo faz com que eu me sinta em casa. Embora sempre haja frustrações e decepções, e a viagem possa gerar certo estresse e seja inegavelmente cansativa, vale a pena ao fim de tudo, pois faz parte de minha escolha e é por isso que vou batalhar".

Já Suelen Boeira, acadêmica de Jornalismo, optou por deixar Tapejara, distante 50 km de Passo Fundo, para morar na cidade em que estuda: "Viajar diariamente, mesmo que numa distância relativamente pequena, torna-se cansativo com o passar do tempo", relata Suelen. "Morar, estudar e trabalhar na mesma cidade parece tornar as coisas mais fáceis, mas nada se compara ao conforto da casa dos pais. Morar sozinha é um novo desafio que pretendo enfrentar de cabeça erguida e com força de vontade", complementa.

Um dos principais motivos da mudança, além da maior comodidade de deslocamento, é a adaptação à rotina da cidade. "Talvez por eu ter morado parte da minha vida em uma cidade maior e mais desenvolvida, tenha sido difícil me adaptar a um lugar menor. Hoje, resido e estudo em Passo Fundo e tenho muitos planos", revela a estudante.

Apesar de o curso de Jornalismo não ser exatamente o que Suelen imaginava a princípio, ela destaca que o aprendizado é constante e o esforço vale a pena: "Toda experiência é válida e às vezes serve para não cometermos o mesmo erro duas vezes. A faculdade está se encaminhando para o fim e pensar no futuro não é mais uma questão de opção, mas de necessidade urgente. Projetar metas e correr atrás do tempo perdido agora é minha prioridade", finaliza.

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Na próxima edição: Futebol também é coisa de mulher.

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Este texto é parte de um projeto especial de 8 edições dentro do TCHÊcnologia produzido por Roberto Biluczyk (@RobertoBil), estudante de Comunicação Social (Hab. em Jornalismo) pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Confira outros textos da coluna Panorama quinzenalmente às quintas-feiras.
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