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quarta-feira, 28 de março de 2012

Jô por Acaso #12: Vida longa aos cachorreiros!

Com a idade é comum a alteração de gostos, no entanto há outras preferências que não mudam jamais. No meu caso, após os trinta anos, passei apreciar o sabor amargo da rúcula, já a paixão por bolacha Maria permanece intocável, faz parte da minha lista definitiva de itens de cesta básica desde a infância.

Entre as minhas mudanças mais radicais, está, sem dúvida, o meu afeto pelos cães. Nunca fui cachorreira, isto até conhecer a Kika. Por insistência de meu marido, desde sempre cachorreiro, e de minha filha então com dois anos, adotamos uma cocker com lingucinha que se tornou um pouco dona de nossa casa e de nossas vidas.

Passados oito anos veio, então, o Rocky para formar parte da nossa família. Um boxer desengonçado e meigo que enche a nossa vida de alegria. Fruto de uma chantagem emocional de minha filha, ao saber da nossa mudança de cidade: Tudo bem, mãe, vamos nos mudar, mas então quero morar na praia, ter um quarto de frente por mar e cinco cachorros! Como a Sophia sabe negociar com os pais, sempre pede o impossível para conseguir algo possível e, por isto, se contentou com mais um cachorro, um quarto espaçoso com sacada e uma casa na praia a mais de dez quadras do mar!

O Rocky não foi presente de vizinhos como a Kika, foi um cão abandonado, chegou magrinho e com frio e nos tratamos de enchê-lo de carinho. O sentimento de quem tem um cão e meio maternal. Parece loucura, mas outro dia o Rocky adoeceu, fiquei tão preocupada ao ouvi-lo tossir a noite toda que mal consegui dormir e comentei com meu marido minha preocupação excessiva, ao que ele, meu marido, ficou indignado, relembrando que quando ele fica doente e entra a madrugada tossindo, eu durmo e ronco a noite toda. Devo admitir que o afeto pelos cães é maternal mesmo!

E este assunto todo é para chegar no que me comove e me aflige, a falta de consciência de alguém que abandona um cão ou vários cães na rua. Outro dia minha filha e sua amiga encontraram seis filhotes, todas fêmeas, em uma caixa de papelão em uma rua no Cassino. Claro, voltaram para casa carregando a caixa! Por sorte temos uma vizinha cachorreira que aceitou dar um lar provisório (que, aliás, está sendo de primeira classe, tratamento vip) até encontrarmos lares definitivos para as meninas peludas.

Além disto, e principalmente, falta boa vontade do poder público, não há uma só entidade em Rio Grande mantida com verba da prefeitura para cuidar dos cães de rua e a atuação do canil é, basicamente, nula. Uma pouca vergonha!

Ainda bem que existem no mundo, e até mesmo aqui no Cassino, pessoas como a minha vizinha Janaína que se comovem com os animais porque são donos de coração e braços gigantes capazes de acolher uma ninhada!

Vida longa a todos cachorreiros!!!


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Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda quarta-feira, às 22h, na seção Jô por Acaso, editada por Joselma Noal.
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