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quarta-feira, 21 de março de 2012

Jô por Acaso #11: Sobre Livros e Grades

Li, que em visita a um presídio, um escritor surpreendeu-se com a quantidade de livros rasgados na Biblioteca. Imaginou o entusiasmo da leitura, os apenados estariam guardando fragmentos das obras! Entristeceu-se profundamente ao tomar conhecimento de que a finalidade das páginas rasgadas não havia sido esta, mas sim a de uso de papel higiênico que parecia estar em falta no local. Lamentável, por pior que seja a obra não merece tal destino!

Os milagres da leitura literária são tamanhos, não ousaria afirmar que são capazes de salvar o ser humano, mas de recuperar, me atreveria a garantir que sim!

A matéria jornalística na Zero Hora, dominical, 18/03, sobre o projeto de inserção da leitura de textos literários na prisão pode ser um bom começo para inserção cultural, para acessibilidade a um mundo novo. A prisão não deve ser um local nada agradável de se viver e a fuga por meio da arte pode auxiliar em um processo de mudança de atitude, de visão de mundo.

Em um presídio encontram-se assassinos potenciais, mas também homens que roubaram por fome, para alimentar seus filhos. Sem ser piegas, sendo, a verdade é que este sujeito, o famoso ladrão de galinhas, não representa um perigo à sociedade, está ali por uma contingência social. Muitas vezes os nossos governantes roubam parte da verba que deveria ser destinada à saúde pública, e representam um perigo muito maior à sociedade, apesar da vida em liberdade e de modo exageradamente confortável.

Acredito que a leitura pode contribuir como um meio de aliviar a dor de um ladrão de galinhas, talvez não atue como salvadora de delinqüentes sociais. E por isto, o projeto é válido e relevante, embora não consiga atingir igualmente a todos os presidiários.

Só o acesso aos livros e o incentivo à leitura não bastam! O acompanhamento na inserção social do indivíduo ao ser liberado da prisão é fundamental. É algo a ser discutido e repensado com urgência! A companhia dos livros pode ajudar e muito na libertação do homem, mas não como uma ação individual!

Fica o registro de aplausos à iniciativa do projeto de inserção da leitura no presídio, no entanto não esperem milagres da arte. Faz-se urgente uma ação social capaz de oferecer uma real liberdade ao ser humano, que viveu atrás das grades!


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Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda quarta-feira, às 22h, na seção Jô por Acaso, editada por Joselma Noal.
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