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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Jô por Acaso #7: Estamos todos bem e cada um na sua!


Assisti a um filme outro dia, meio por acaso zapeando, gostei do título, li as informações, tive a certeza (e não me enganei) de que iria me emocionar. Estão todos bem se chama a co-produção Itália - EUA, 2009, direção de Kirk Jones e no elenco Robert De Niro.

Não vou contar todo o filme só traçar rapidamente o fio da história.. Robert De Niro atua de modo brilhante como sempre, na pele de um aposentado, recém viúvo que busca reencontrar os quatro filhos espalhados por diferentes e distantes cidades norte-americanas. O filme mostra as viagens do protagonista ao encontro dos filhos, tem um ritmo lento, reflexivo, recheado de imagens poéticas, diálogos e silêncios. Tem o tom que tanto prezo no cinema europeu, lamento não ser em italiano, para mim deixaria o filme um tanto mais dramático.

O filme acompanha a tal visita surpresa do pai à residência dos filhos, que não parece ser muito bem-vinda por parte das crianças como ele se refere à prole adulta. Percebe-se que todos querem demonstrar que estão bem para o pai, preocupado com a felicidade dos filhos, aí o título. Belas imagens em que relembra os filhos pequenos e as conversas sobre a escolha profissional e o futuro de cada um. O pai exigente quer que sejam todos artistas, estimula o talento de cada um. E eles se tornam: músico, artista plástico, bailarina, publicitária.

O filme dá muito pano pra manga, por isto vou selecionar somente alguns, senão o texto ultrapassará os caracteres e a paciência do prezado leitor. Os discursos do pai com os filhos sobre a escolha profissional permeavam o papel social da profissão a ser escolhida e não a felicidade ao executar determinadas tarefas cotidianas. Claro, os pais sempre querem que os filhos sejam felizes (o que, aliás, o protagonista pergunta a cada filho nesta visita surpresa), o que se esquece é de perceber que a felicidade não é igual pra todo mundo e que uma profissão de maior ou menor prestígio talvez não revele maior ou menor índice de felicidade.

Outro ponto importante é a preocupação excessiva dos filhos em demonstrar uma vida falsa para o pai, aparentam algo que não são na verdade, tudo para preservar uma imagem criada pelo pai e que desejam manter. Um jogo de inverdade para assegurar uma vida feliz ou pelo menos dentro dos moldes que o pai julga como feliz.

A verdade é esta, no filme e na vida: nós, na posição de filhos, queremos ser felizes para dizer aos nossos pais que a vida está ótima e que eles não geraram um bando de inúteis, que podem se orgulhar de nossos feitos. Nós, na posição de pais, cobramos uma felicidade idealizada com a profissão que sonhamos e com o futuro traçado por nossos esboços e não pelos de nossos filhos que podem ter um traço muito diferente do considerado ideal e que por vias meio-tortas os podem levar a felicidade.


Então tá, registrada minha dica de filme e minha ínfima reflexão sobre a felicidade de cada um.

Um belo fevereiro para todos!

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Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda quarta-feira, às 22h, na seção Jô por Acaso, editada por Joselma Noal.
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