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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Panorama #1: A Internet nossa de cada dia

A internet e as redes sociais cada vez mais ocupam um lugar especial no dia-a-dia, interferindo positiva ou negativamente na vida das pessoas

Roberto Biluczyk

Seja pelo computador ou pelo celular, a internet está cada vez mais presente em nossas vidas. Mesmo as pessoas mais tradicionais já cederam e aceitam a rede mundial de computadores como um elemento fundamental no século XXI. Dentre suas principais funções, destacam-se a facilidade em pesquisar dados e aproximar contatos.

Segundo índices divulgados pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Opinião Pública, o IBOPE, o número de usuários ativos na internet brasileira chegou ao patamar de 43,2 milhões no último mês de março. Em comparação com o mesmo mês no ano passado, houve um aumento de quase 14% na quantidade. Pessoas se conversam, se tornam amigas, e até mesmo se casam com outras conhecidas via internet. É o caso da secretária Luciana Santos, agora também Ferreira, que conheceu seu marido, Ernesto Ferreira, através de uma sala de bate-papo. "Na época, eu procurava alguém sério e deu certo. Mas nem todos tem essa sorte", conta Luciana.

A IBM, empresa vinculada à área da informática, previu em estudo que, no ano de 2012, os usuários de redes sociais - como, por exemplo, Orkut e Facebook - alcançarão a incrível marca de 800 milhões de internautas. Procurar antigos e novos amigos, trocar recados, compartilhar um pouco de seus gostos pessoais, difundir ideias: esses são alguns dos motivos que levam as pessoas a aderir aos sites. E nessa troca, novos contatos surgem a todo o momento. Outrora, os chats, como os que Luciana e Ernesto participavam, fizeram muito sucesso com diálogos entre desconhecidos. Hoje, devido a crimes virtuais, os relacionamentos costumam se dar em perfis pessoais. Porém, muitas vezes, esses perfis também podem conter informações falsas. Cabe a cada um checar o que é dito, para não se deixar levar pelo que não é verídico.

Experiências de quem vive no mundo das redes sociais

Orkut, MSN, ICQ, Facebook, Google+, etc. Gosto não se discute. Redes sociais, sites e programas de interação: entre tantas opções, há sempre uma líder em preferência para o usuário.

A acadêmica de Jornalismo Giordana Pezzini prefere o Orkut "talvez pelo seu design e por ser mais fácil de usar", relata. Giordana acha a rede mais agradável, bonita ao olhar. Além disso, usa para comunicação e compartilhamento de fotos. Ainda assim, ela não abre mão do Facebook. "O Orkut é mais brasileiro. Já o Facebook é mundial", conta.

Facebook: a rede do momento

Embora haja espaço para todos, o Facebook é, sem dúvida, quem vem ganhando mais adeptos – o último levantamento acusou mais de 500 milhões de usuários. Números extra-oficiais mostram que desses, 4,6 milhões são brasileiros. A repercussão do filme "A Rede Social" (David Fincher, 2010) atraiu mesmo a quem não conhecia formas semelhantes de interação. A advogada Marita de Lourdes Vargas não foi influenciada pelo filme, mas encontrou na rede uma oportunidade de reencontrar e retomar contato com vários amigos. Após morar e trabalhar por vários anos em Passo Fundo, ela regressou a Erechim, a cerca de 80 quilômetros. "Agora, posso conversar virtualmente com vários contatos, mesmo que muitas vezes sinta que não tenho muitas novidades para contar", conta.

Recentemente, a rede social também adquiriu um contexto político. Um vídeo de um pronunciamento do vereador de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, Roque Letti, teve sua repercussão ampliada pela criação de um grupo no Facebook, o qual reuniu cerca de cinco mil pessoas. No espaço, cidadãos indignados pela postura do político, que reclamou de adesivos que, segundo ele, denegriam a imagem da cidade – chamando-a de "A Capital dos Buracos" – organizaram-se para protestar, inclusive com passeatas. O fato foi amplamente difundido pela mídia estadual. O vídeo foi reproduzido via Twitter pelo jornalista e humorista Rafinha Bastos e ficou ao alcance de mais de três milhões de usuários que o seguem. Até a noite da sexta-feira, 30 de setembro, menos de uma semana após a postagem original, o vídeo já tinha sido visto por 35 mil pessoas no YouTube. No final do mês de dezembro, esse número já alcançava o patamar de 142 mil.

O consultor de redes sociais Anthony Johann (www.ajohann.com) afirma que cada vez mais elas serão usadas para mobilizações políticas e sociais. "Em 2010, tivemos as primeiras experiências digitais. Em 2012, com participação parcial de público, a internet terá uma parcela de poder na decisão de voto", relata.

Quando se trata de pontos positivos ou negativos das redes, Anthony Johann fala em facilidade de comunicação. "Assim como os celulares revolucionaram no passado, as redes sociais revolucionam hoje. Os maiores problemas são o mau uso e a procrastinação de atividades causada por elas", salienta.

Com fatores pró e contra, as redes sociais mostram que vieram para ficar, ocupando importante espaço na vida de seus usuários.

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Na próxima edição: Busologia.

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Este texto é parte de um projeto especial de 8 edições dentro do TCHÊcnologia produzido por Roberto Biluczyk (@RobertoBil), estudante de Comunicação Social (Hab. em Jornalismo) pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Confira outros textos da coluna Panorama quinzenalmente às quintas-feiras.
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