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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Jô por Acaso #6: O polêmico canto do galo

Uma notícia sobre o canto de um galo em Capão Novo me levou a dividir com os leitores uma reflexão sobre a falta de paciência e tolerância, que a maioria das pessoas têm, com o barulho alheio.

Pois é, o canto de um galo pela madrugada e pela manhã perturba um número elevado de moradores e veranistas, no entanto uma minoria apóia. Alias tem até gente querendo adotar o tal galo! A polêmica tá tão grande pra aquelas bandas do litoral que o caso está sob responsabilidade da vice-prefeita que tenta administrar de modo diplomático a situação.

E o dono do galo? Este gosta do seu animal de estimação, revela tristemente que o ano passado sacrificou o pai do galo (deste que agora canta) e não quer repetir o mesmo gesto. A coisa tá tão maluca que parece que o galo vai parar em um hotel.

A questão é a forma como as pessoas reagem diante do canto do galo. Alguns estão indignados, perturbados, estressados, já outros adoram ouvir o canto do galo, relembram a infância no campo ou sonham com uma vida tranquila, longe da metrópole, algo que talvez nunca tenham vivido em um instante sequer na vida. Quantas vezes também nós fazemos barulhos indesejáveis para os nossos vizinhos, ouvindo música, assistindo um filme, em uma reunião de amigos, em uma festa?

Falta respeito com o próximo por parte do dono do galo, mas falta também paciência e tolerância por parte dos vizinhos. Atualmente convivo com o som do teclado do morador da casa aos fundos da minha, confesso que no início achei bacana, após alguns dias tolerável, agora irritante, mas não direi nada a meu vizinho, porque ele também convive com os barulhos advindos de minha residência e tampouco deve apreciá-los.

O cidadão de férias em Capão Novo porque não aproveita para se divertir, em lugar de reclamar e fazer queixa formal do canto do galo? Tem gente com vocação pra queixoso e não adianta, podia estar no Caribe, em Paris ou em Nova Iorque que encontraria algum motivo pra justificar sua infelicidade e falta de sorte. Talvez não fosse nada parecido a um canto de um galo, mas uma bagagem perdida, um restaurante com uma carta de vinhos insatisfatória, um guia pouco gentil, um atraso nos vôos, enfim algum pretexto para julgar-se infeliz.

Veranistas de Capão Novo, por favor: é imprescindível ser tolerante para ter férias agradáveis. E guarde o segredo para uma vida na metrópole menos estressante!
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