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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Entrevista: Liliane Martins, coordenadora de telejornalismo e apresentadora da RBS TV Erechim

A nossa entrevista de hoje é com uma jornalista muito conhecida em Erechim e região. Liliane Martins trabalha na RBS TV Erechim e apresenta o Jornal do Almoço local, um telejornal de grande audiência na região de cobertura da emissora afiliada à Rede Globo.

Ela nos conta um pouco sobre formação, trabalho e a emoção que envolve a profissão de jornalista. Sempre muito simpática, as respostas mostram porquê a jornalista é tão querida na região.

Confira!

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1. Primeiramente, gostaríamos de agradecer a sua disponibilidade para falar ao blog. Você poderia nos explicar brevemente a sua formação?

Claro! Eu sou graduada em Comunicação Social: Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo. Em 2002, no terceiro ano da faculdade, fui contratada pela RBS como repórter. Comecei dois cursos de pós-graduação, mas não completei porque não tinham a correlação que eu imaginava com a minha área de trabalho. Há quatro anos, sou Coordenadora de Jornalismo, e para essa função, busquei um MBA em Gestão de Pessoas.

2. O Grupo RBS é, hoje, a segunda maior empresa do estado do Rio Grande do Sul e a mais lembrada pelos gaúchos no ramo de comunicação. Quando e como você começou a trabalhar na RBS TV?

A minha carreira na televisão começou em janeiro de 2002. Antes disso, eu fiz 5 meses de estágio na RBS TV Erechim. Com cerca de 8 meses como repórter, surgiu uma oportunidade para ser transferida para a RBS TV Passo Fundo. Eu fui aprovada para a vaga e trabalhei dois meses por lá, antes de uma transformação na empresa, onde vários profissionais foram demitidos. Desligada da empresa, por dois meses, eu trabalhei na Rádio e Jornal Diário da Manhã, em Carazinho, que me deram uma experiência interessante nessas outras duas mídias. Foi quando recebi um convite da, então, Coordenadora de Jornalismo da RBS TV Erechim, Dalcira de Oliveira, para voltar para a televisão. Foi com prazer que retornei a esta cidade e emissora. Quatro anos depois, assumi o cargo de Coordenadora de Telejornalismo, como atuo até hoje.

3. Você é âncora atualmente de um dos principais telejornais da RBS TV Erechim, o Jornal do Almoço. Este programa passou por reformulações no fim do ano de 2010 e todos os apresentadores tiveram que se adaptar a elas. O que você acha do novo formato? O que foi mais difícil nessa mudança?

O novo J.A. foi um projeto ousado que recebeu um grande investimento do Grupo RBS, não somente na estrutura, mas também na pesquisa e estudo para fazer a mudança. A afiliada do sul do Brasil tomou a frente de outras co-irmãs brasileiras e começou a implantar aqui o modelo utilizado no sudeste do país pela Globo. Mas precisava atender também o gosto dos gaúchos. A proposta foi de modernização, mas o principal mote foi aproximar-se do público. A linguagem mudou e isso foi bem interessante. A forma de apresentar é mais intimista, um estilo que gosto muito e sempre busquei na RBS TV Erechim. A principal mudança para a nossa emissora foi o aumento das gravações externas para produzir o jornal. Se antes, exibíamos cerca de 5 notícias com imagens, agora, este número dobrou e para fazer tudo isso, as equipes correm muito mais. O telejornal está mais completo, mais dinâmico e atraente para o telespectador.

4. Qual foi o momento mais marcante da sua carreira?

A emoção faz a gente gravar os fatos na memória. Então, o que mais marcou a minha carreira foi a notícia que mais me emocionou. O jornalista sempre procura se distanciar da notícia em função da busca pela imparcialidade. Então, tendemos a nos manter menos sensíveis e mais racionais na apuração das informações, tentando captar o maior número de pontos de vista e a “verdade” do fato. Mas tem situações onde, por mais que pratiquemos o controle emocional, as lágrimas correm pelo rosto. A dor das famílias, dos amigos, da comunidade da Barragem da Corsan com a tragédia do ônibus escolar em setembro de 2004 era quase palpável. Nós vivemos a perda com eles. Estávamos juntos logo depois do fato, quando se percebeu a perda das crianças, quando as famílias recebiam a notícia. Lembro até hoje das entrevistas. Enquanto os pais e parentes das crianças falavam, chorando, o choro também era natural em quem entrevistava. Em frente ao Hospital de Caridade, eu entrevistei uma família que estava na angustiante espera da notícia sobre seu filho. Ainda não havia informações sobre ele. Quando eu terminei a entrevista, o cinegrafista ainda estava gravando, chegou, com cuidado, um bombeiro com a notícia que ninguém queria ouvir. Os pais choraram e se abraçaram diante da perda recém anunciada. A nossa equipe foi o primeiro abraço nesse momento de dor profunda e sentimos a alma partida daquele casal. Hoje, nós acompanhamos o transcorrer dos cinco processos e esperamos a decisão final de todos eles.

5. Você sempre quis trabalhar como jornalista/apresentadora ou já teve outros planos?

Para você ter uma ideia, a disciplina na escola que eu mais gostava era Matemática. Eu posso dizer que sempre gostei de tudo – ou quase tudo. Pensei em ser dentista, diplomata, arquiteta, juíza, jornalista,... e poderia citar outras profissões. Mas foi exatamente o gosto por várias áreas que me levou a buscar o jornalismo. O que foi decisivo foi a possibilidade de ajudar as pessoas através da comunicação social. Quando se faz uma reportagem informativa, é possível trabalhar a conscientização; nas denúncias, expomos situações que poderiam ficar escondidas deixando os seus responsáveis impunes; quando mostramos um drama pessoal, podemos abrir o leque de oportunidades para a pessoa. Contribuir para uma sociedade melhor foi o motivo que me convenceu a fazer jornalismo.

6. Blogs são ferramentas bastante utilizadas atualmente por jornalistas e até mesmo por pessoas não-formadas que gostam de expressar suas opiniões. Em alguns casos, blogs conseguem mais espaço do que, até mesmo, grandes portais de notícia e entretenimento. Você mesma participa ativamente da edição do blog da RBS TV Erechim. Na sua opinião, blogs podem ser considerados um tipo de concorrência aos meios de informação tradicionais (jornal, revista, TV, rádio) ou apenas os complementam?

A internet revolucionou a forma como nos comunicamos com o mundo. A tecnologia e as redes sociais amplificam essas possibilidades. Hoje, experimenta-se uma liberdade fantástica que deve ser bem utilizada. Os blogs são uma forma de expressar o que se pensa e influenciar pessoas. Não vejo que apenas eles são concorrentes dos meios de comunicação tradicionais. Os meios não concorrem mais apenas entre si (emissora a x emissora b, rádio a x rádio b), mas com todas as opções de lazer e busca de informação que há nesses dias. O bolso do brasileiro não está mais tão vazio e, com recursos financeiros, o número de possibilidades cresce. Ir no cinema, passear, pegar um filme, etc. O blog da RBS TV Erechim serve como complemento dos telejornais e espaço para mostrar bastidores. Confesso que ainda estamos engatinhando , mas queremos que esse espaço possa ter cada vez mais informações atrativas para o telespectador. Podem nos mandar sugestões para o telejornal.erechim@rbstv.com.br!

7. E para finalizar, que recado você deixaria para aqueles que pretendem seguir na área de Comunicação Social? E especificamente para aqueles que optarem pelo Jornalismo?

Acima de qualquer coisa, é preciso amar o que você faz, seja qual for a profissão que escolher. Se você não é apaixonado, você não se dedica de forma suficiente para conquistar o lugar e se destacar num mercado cada vez mais exigente e competitivo. Outro ponto é que ninguém se satisfaz apenas com um salário (ainda mais num país onde o Jornalismo é pouco valorizado). Quando não há significado, quando não há um motivo maior para desempenhar determinada função, o desânimo aparece e o entusiasmo se perde. Então, a minha primeira dica é fazer a sua escolha pelo coração.

O jornalismo é uma profissão “nervosa”, cheia de adrenalina, na qual a rotina não tem vez. A qualquer momento, você pode ser surpreendido por um fato diferente e aquilo muda todo o planejamento do dia. Se você gosta de rotina, terá dificuldades. Se não gosta, terá um prato cheio.

Para o Jornalismo ou outra profissão, o recado é o mesmo: não adianta esperar tudo da faculdade. Estude muito, dedique-se ao máximo, procure, desde a fase acadêmica, ter um diferencial. A prática, o contato com o meio profissional, os estágios ampliam o conhecimento, desenvolvem as habilidades e abrem portas. Quando a sua aparecer, entre e aproveite! Não esqueça que o mais importante é fazer algo que realmente te realize e faça feliz!

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A equipe do TCHÊcnologia agradece a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a sua profissão, Liliane, e te deseja muito mais sucesso na sua carreira. Parabéns pelo profissionalismo!

E você, caro leitor, fique ligado. Em breve teremos novas entrevistas.
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