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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Coffee Break #26: Crianças e Tecnologia



Esta semana comemoramos, além do feriado religioso de Nsa. Sra. Aparecida, o Dia das Crianças.

Uma coisa me pareceu estranha ao andar pelas ruas da cidade neste feriado. Vi poucas crianças brincando pelas ruas com seus brinquedos novos, como era há poucos anos no Dia das Crianças, as ruas e praças se enchiam de crianças com bicicletas, bolas de futebol, bonecas, brinquedos criativos que incentivavam a integração e a interação entre crianças que nem se conheciam, pois precisava-se de duas crianças para brincar, brinquedos criados e construídos juntamente com seus pais, enfim, vivía-se o mundo real de crianças.


O que vi neste último dia 12 foram ruas vazias. Reflexo de crise econômica que impediu os pais de presentearem seus filhos? Dificilmente, pois para estes mesmos pais não deve faltar celular com câmera, acesso à internet, mais isso e aquilo.

Então deve ter sido o feriado, as pessoas viajaram. Difícil também, pois o feriado foi em uma quarta-feira.

Seria então o medo da violência ou do frio, já que estava meio nublado, promessa de chuva até o final do dia. Me parece que não, pois eu levei meu filho para a rua, ele subiu em árvore e brincou com seu carrinho de ferro junto comigo, com a mãe, os avós, os tios.

Não posso afirmar que todas essas crianças que faltavam na rua estavam dentro de casa jogando vídeo games ou testando seus novos computadores, mas que senti um pouco de saudade da época em que éramos crianças que passavam o tempo brincando, pulando muros, subindo em árvore e o nosso melhor amigo morava na casa ao lado e não a quilômetros de distância e a convivência era presencial e não virtual.

Tempos modernos, mas tempos em que nem sempre a tecnologia veio para ajudar.

Em vários posts que fiz aqui sempre exaltei a forma como a tecnologia melhora nossa qualidade de vida, mas no que diz respeito à infância, acho que não precisávamos ter mudado tanto e interferido tanto.

Claro que a responsabilidade é dividida entre inventores, fabricantes e, principalmente, os pais.

Portanto, o que posso concluir é que no nosso mundo moderno onde deve-se comer com moderação para evitar a obesidade, problemas cardíacos e colesterol; beber com moderação para evitar o alcoolismo, multas de trânsito e acidentes, temos também de teclar com moderação, jogar games com moderação, twitar com moderação, curtir com moderação para não esquecer de como é viver o mundo real, para não esquecer como são as relações sociais reais.

Podem pensar que estou ficando velho e por isso falando bobagem, mas acho que essa melancolia ainda é reflexo da perda que tivemos semana passada.

Steve Jobs, falei dele algumas vezes aqui e agora registro meu sentimento pela perda de uma das figuras mais marcantes no mundo da Tecnologia. O cara uniu criatividade, capacidade, marketing e carisma, resultando em lucro e uma legião de fãs.

Como não sou de levantar bandeira de ninguém (exceto a do meu time de futebol) e também não sou de queimar ou pisar na bandeira de ninguém, me limito a dizer que perdemos muito, mas outros ficaram, outro virão.

No mais, é chegada a hora das minhas férias. Finalmente vou viajar, navegar em mares de verdade, surfar em ondas de verdade e nuvem, espero que no máximo as de chuva de verão para amenizar o calor.

Bons ventos os guiem.

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Este é um post especial do TCHÊcnologia publicado toda sexta-feira, às 16h, na seção Coffee Break, editada por Fabrício Oliveira de Miranda. Siga a coluna no Twitter:@__CoffeeBreak e participe!
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